HABILIDADES SOCIAIS


Quem nunca teve dificuldade de negar um pedido? Se isso já aconteceu com você alguma vez, saiba que não é o único - porém, algumas pessoas sofrem muito nesse momento.


Conseguir negar um pedido e não sofrer com isso significa que você tem uma das habilidades sociais (HS) bem desenvolvidas. Já quem sofre com tal resposta, provavelmente está com algum déficit nessas habilidades. Os mais habilidosos socialmente costumam ter mais facilidade em lidar com a diversidade de relacionamentos em todas as esferas sociais.


As Habilidades Sociais são “classes de comportamentos existentes no repertório do indivíduo, e elas compõem um desempenho socialmente competente” (Del Prette & Del Prette, 2011). Negar pedido é apenas uma das subclasses das habilidades sociais. Iniciar e manter uma conversa, fazer e responder perguntas, resolver problemas, manifestar opinião, concordar, discordar, aceitar e recusar pedidos, expressar desagrado, pedir mudança de comportamento e lidar com críticas são outras subclasses.


É importante ressaltar que as habilidades sociais são características do comportamento, e não da pessoa. Como os comportamentos socialmente aprovados podem variar muito de uma cultura para outra, as habilidades sociais devem ser avaliadas à luz de um contexto sócio-cultural. Ou seja, o que é socialmente aceito no Brasil pode ser considerado inadequado em outros locais.


Problemas de relacionamentos interpessoais e dificuldade de comunicar-se de forma adequada muitas vezes são causados por déficits em habilidades sociais. Esses déficits podem trazer prejuízos importantes na vida de uma pessoa. A falta de habilidade social está correlacionada com fraco desempenho acadêmico, delinquência, abuso de drogas, crises conjugais e desordens emocionais variadas, como transtorno de ansiedade (Murta, 2005). Em contrapartida, o desenvolvimento das HS podem facilitar a comunicação e ajudar na resolução de problemas cotidianos.


Assertividade


A assertividade vem liderando a lista das habilidades que mais favorecem o sucesso das relações interpessoais. Assertividade compreende a expressão de qualquer sentimento, positivo ou negativo, respeitando o próprio direito, sem ferir o direito do outro, com o controle da própria ansiedade (Del Prette & Del Prette, 2011).


Assertividade compreende a expressão de qualquer sentimento, positivo ou negativo, respeitando o próprio direito, sem ferir o direito do outro, com o controle da própria ansiedade.

Vamos a um exemplo para entender melhor o que é assertividade. Se um indivíduo, ao receber um pedido de empréstimo, responder gritando e gesticulando algo como “Qual é, seu idiota? Está me achando com cara de banco?” vai gerar que tipo de reação nas pessoas? Esse comportamento não é assertivo, e sim agressivo. Em outro extremo, ele poderia responder de cabeça baixa, olhando para o chão, da seguinte forma: “É ... hum ... está bem ... eu empresto”, mesmo ficando sem dinheiro para pagar suas despesas pessoais. Esse comportamento também não é assertivo, e sim passivo.


No comportamento passivo, o indivíduo não respeita seus próprios direitos. Já no comportamento agressivo, o indivíduo não respeita o direito do outro. Ser assertivo significa respeitar o próprio direito e respeitar também o direito do outro. E isso nos protege da baixa autoestima, da ansiedade, da culpa e até mesmo da possibilidade do surgimento de sintomas psicossomáticos.


As habilidades sociais contribuem para uma vida mais saudável e equilibrada. Nossa qualidade de vida depende não apenas do cuidado com o nosso corpo, mas também de uma atenção diária com a nossa mente. Cuidar da nossa mente ajuda a nos proteger de transtornos mentais que são cada vez mais comuns na nossa sociedade e que são comumente marcados pela ausência de habilidades sociais.


A boa notícia é que essas habilidades sociais são aprendidas e, portanto podem ser desenvolvidas ao longo da vida de forma sistemática, ou seja, através de treinamentos.

Se você percebe que suas relações interpessoais não são satisfatórias, procure ajuda e faça uma avaliação com um profissional de psicologia qualificado. Precisamos nos cuidar.


Referências


Del Prette, Z. A. P. & Del Prette, A. (2011). Inventário de Habilidades Sociais (HIS-Dell-Prette): manual de aplicação, apuração e interpretação. São Paulo, SP: Casa do Psicólogo.

Del Prette, Z. A. P., Del Prette, A., Barreto, M. C. M, Bandeira, M., Rios-Saldaña, M. R., Ulian, A. L. A. O., Villa, M. B. (2004). Habilidades sociais de estudantes de psicologia: um estudo multicêntrico. Psicologia: Reflexão e Crítica, 17(3), 341-350.

Murta, S. G. (2005). Aplicação do treinamento em habilidades sociais: análise da produção nacional. Psicologia: Reflexão e Crítica, 18(2), 283-291.



SOBRE A AUTORA


Prícila Mendonça


Psicóloga clínica. Mestre em psicologia com foco nas relações interpessoais (Universidade Católica de Petrópolis). Possui formação em Terapia Cognitivo-Comportamental. É terapeuta parceira da Ação Cognitiva, atuando na Barra da Tijuca. Realiza atendimentos a adultos e grupos de habilidades sociais.


O Treinamento de habilidades sociais é composto de avaliação e intervenção através de ensaio comportamental, modelação, feedback verbal e tarefa de casa. O treinamento tem a proposta de  trabalhar as habilidades sociais de comunicação, assertividade, empatia, resolução de problemas e outros aspectos que contribuirão para relações interpessoais mais satisfatórias.


Contato: pricilambs@gmail.com

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